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Desapropriação

Desapropriação da Linha 19-Celeste do Metrô: Resolução SPI 15/2025, ruas atingidas e as obras em 2026

  • Otavio Andere Neto
  • 30 de setembro de 2026
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Em resumo

  • A Linha 19-Celeste do Metrô vai ligar o Centro de São Paulo a Guarulhos. Seus terrenos foram declarados de utilidade pública por quatro atos: a Resolução SPI 15/2025 (eixo Sé–Vila Medeiros), a Resolução SPI 14/2025 (Pátio Vila Medeiros) e os Decretos Estaduais 68.537/2024 (Centro) e 68.552/2024 (Guarulhos).
  • Até 6 de outubro de 2026, não localizamos no Diário Oficial do Estado nenhum ato novo de utilidade pública para a linha.
  • As obras foram licitadas em três lotes. Segundo a imprensa especializada, os vencedores estão definidos, mas nenhum contrato de obra havia sido assinado até o início de outubro de 2026. O Metrô fala em início das obras em 2027, condicionado aos procedimentos administrativos.
  • A Cetesb concedeu a Licença de Instalação nº 2857 para a Estação Dutra, em Guarulhos.
  • Segundo a imprensa, o Metrô já contratou empresa para avaliar os imóveis e montar os processos de desapropriação. O próximo passo, para o proprietário, é a proposta do Metrô.

Quem tem imóvel ou comércio no traçado da Linha 19-Celeste vive, em outubro de 2026, um momento particular. Os atos que autorizam a desapropriação já estão publicados há mais de um ano. Segundo a imprensa, a obra já tem vencedores de licitação e a empresa que vai avaliar os imóveis já foi contratada. O próximo passo é a proposta do Metrô, ainda sem data oficial. Este guia reúne o que é oficial, o que mudou desde a publicação das resoluções e o que o proprietário, o comerciante e o inquilino podem fazer agora.

Desapropriação para a Linha 19-Celeste do Metrô em São Paulo e Guarulhos - Resolução SPI 15/2025 (DOE de 31/03/2025): Direitos dos Proprietários e Comerciantes do Brás, Belém, Vila Maria e Vila Medeiros

A Linha 19-Celeste é uma nova linha do Metrô de São Paulo, sob responsabilidade da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô). Segundo o Metrô, ela terá 17,6 km e 15 estações, ligando a região do Anhangabaú, no Centro, ao Bosque Maia, em Guarulhos, com um pátio de manutenção em Vila Medeiros e 18 poços de ventilação e saída de emergência. O traçado atravessa bairros densamente ocupados, como Brás, Belém, Vila Guilherme, Vila Maria e Vila Medeiros, e, em Guarulhos, Paraventi, Vila Augusta, Bosque Maia e Itapegica.

Uma obra desse porte exige liberar terrenos para as estações, os poços, os canteiros, o pátio e as áreas de superfície dos túneis. Para isso, o Poder Público precisa adquirir, por acordo ou por desapropriação, um número grande de imóveis ao longo do traçado. É disso que tratam os atos descritos abaixo.

Os quatro atos de utilidade pública da Linha 19-Celeste

A desapropriação começa por um ato formal, um decreto (estadual ou municipal) ou uma resolução estadual, que declara determinada área de utilidade pública. É esse ato que delimita o perímetro e autoriza o expropriante a adquirir os imóveis, por acordo ou na Justiça, com base no Decreto-Lei 3.365/1941, a Lei Geral das Desapropriações. Na Linha 19-Celeste, quatro atos se complementam por trecho e por município:

AtoDataÁrea
Resolução SPI 15/2025Março de 2025 (DOE de 31/03/2025)Estações, ventilações e saídas de emergência entre a Rua Carlos de Sousa Nazaré (Sé) e a Avenida João Simão de Castro (Vila Medeiros), nos bairros de Sé, Brás, Belém, Vila Guilherme, Vila Maria e Vila Medeiros
Resolução SPI 14/202520/03/2025 (DOE de 31/03/2025)Pátio Vila Medeiros, em Vila Medeiros, junto à Área de Proteção Permanente do Rio Cabuçu de Cima
Decreto Estadual 68.537/202420/05/2024Centro de São Paulo, da Praça Pedro Lessa à Rua Jaceguai, nas imediações da Avenida Nove de Julho, do Vale do Anhangabaú e do Largo do Paissandu
Decreto Estadual 68.552/202422/05/2024Guarulhos, da Avenida Vereador Antônio Grotkowski (Paraventi) à Rodovia Fernão Dias (Itapegica), abrangendo Centro, Paraventi, Vila Augusta, Bosque Maia e Dutra

A Resolução SPI 15/2025 também autoriza o Metrô a invocar o caráter de urgência nos processos judiciais, para os fins do art. 15 do Decreto-Lei 3.365/1941, que trata da imissão provisória na posse. Na prática, isso permite ao Metrô pedir ao juiz a posse do imóvel antes do fim do processo, mediante depósito judicial.

Estar no perímetro não significa que o imóvel foi desapropriado

A declaração de utilidade pública não transfere o imóvel. Ela dá ao Poder Público a prerrogativa de desapropriar dentro de um prazo. Até o acordo ou, na via judicial, até a imissão provisória na posse, o proprietário continua no imóvel e pode usá-lo, alugá-lo e até vendê-lo. Na imissão, o expropriante recebe a posse; a propriedade, em regra, só se transfere ao final, com o acordo ou com a sentença. E nem todo imóvel de uma rua listada é atingido: muitas vezes, só parte de uma quadra ou um lado da rua.

Ruas atingidas em São Paulo e em Guarulhos

A relação abaixo reúne os logradouros citados nos perímetros dos quatro atos. Por respeito à privacidade dos envolvidos e às normas de proteção de dados, não reproduzimos números prediais, matrículas, nomes de proprietários nem valores. A lista serve para que cada interessado identifique se a sua rua consta da área declarada. A confirmação de que um imóvel específico é atingido, e em que extensão, exige a leitura das plantas oficiais.

Sé · Brás · Belém · Vila Guilherme · Vila Maria · Vila Medeiros

São Paulo · 61 logradouros

  • Avenida Condessa Elisabeth de Robiano
  • Avenida das Cerejeiras
  • Avenida do Poeta
  • Avenida Guilherme Cotching
  • Avenida João Simão de Castro
  • Avenida Milton da Rocha
  • Avenida Morvan Dias de Figueiredo
  • Avenida Senador Queirós
  • Largo do Pari
  • Praça Domingues de Almeida Júnior
  • Praça Iocinori Hatanaka
  • Praça Santo Eduardo
  • Rua Agostinho Aragão
  • Rua Aguapaba
  • Rua Aguiar Cardoso
  • Rua Alcântara
  • Rua Antônio Fonseca
  • Rua dos Arcos
  • Rua Augusto Montenegro
  • Rua Barão de Duprat
  • Rua Bresser
  • Rua Cachoeira
  • Rua Canhoneira Mearim
  • Rua Carlos de Souza Nazaré
  • Rua da Cavalgada
  • Rua Claudio Santos
  • Rua Crisciúma
  • Rua Curuçá
  • Rua Diamantina
  • Rua Guaranésia
  • Rua Irineu Portela
  • Rua Joaquim Carlos
  • Rua Jota Carlos
  • Rua João Batista de Mendonça
  • Rua João Boemer
  • Rua Marabu
  • Rua Marcos Arruda
  • Rua Maria Marcolina
  • Rua Mendes Caldeira
  • Rua Merino
  • Rua Monsenhor Andrade
  • Rua Mussumés
  • Rua Ofir
  • Rua Oriente
  • Rua Orindiúva
  • Rua Orlando Jardim
  • Rua Osaka
  • Rua Paulo Emílio
  • Rua Professor Eurípedes Simões de Paula
  • Rua Renato Serra
  • Rua Samuel Lucas
  • Rua Santa Rita
  • Rua Santa Rosa
  • Rua Sousa Caldas
  • Rua São Caetano
  • Rua Tenente Sotomano
  • Rua Tito Flávio
  • Rua Togo
  • Travessa Abreu Júnior
  • Travessa Koichiro Yahara
  • Travessa Mussumés

Vila Medeiros · Parque Novo Mundo

São Paulo · 7 logradouros

  • Avenida Franz Liszt
  • Avenida João Simão de Castro
  • Avenida Joaquim dos Santos Domingues
  • Avenida Mário Haberfeld
  • Rua Cabo Norberto Enrique Weber
  • Rua Samuel Lucas
  • Rua Soldado Alcebíades Bobadilha da Cunha

Centro (Sé / República)

São Paulo · 21 logradouros

  • Avenida Brigadeiro Luís Antônio
  • Avenida Nove de Julho
  • Praça Pedro Lessa
  • Rua Abelardo Pinto (Piolin)
  • Rua Alfredo Cagliotti
  • Rua Asdrúbal do Nascimento
  • Rua Capitão Salomão
  • Rua Dr. Falcão Filho
  • Rua Formosa
  • Rua Francisca Miquelina
  • Rua Jaceguai
  • Rua José Bonifácio
  • Rua João Adolfo
  • Rua Maria Paula
  • Rua Quirino de Andrade
  • Rua Riachuelo
  • Rua Santo Amaro
  • Rua Santo Antônio
  • Rua do Seminário
  • Travessa Noschese
  • Viaduto Jacareí

Centro · Paraventi · Vila Augusta · Bosque Maia · Itapegica

Guarulhos · 35 logradouros

  • Avenida Antônio Iervolino
  • Avenida Carlos Ferreira Endres
  • Avenida Guarulhos
  • Avenida Paulo Faccini
  • Avenida Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco
  • Avenida Senador Adolf Schindling
  • Avenida Tiradentes
  • Avenida Vereador Antônio Grotkowski
  • Rodovia Fernão Dias
  • Rua Alexandre de Oliveira Calmon
  • Rua Bartolomeu de Gusmão
  • Rua Brás Cubas
  • Rua Canadense
  • Rua Cavadas
  • Rua Cerqueira César
  • Rua Coronel Portilho
  • Rua Dom Pedro II
  • Rua Dona Antônia
  • Rua Dr. Epitácio Pessoa
  • Rua Dr. Ramos de Azevedo
  • Rua Engenheiro Camilo Oliveti
  • Rua Firmino Perella
  • Rua General Osório
  • Rua Jaci
  • Rua Januário Matrone
  • Rua José Calixto Machado
  • Rua José Sarraceni
  • Rua Libânio José Antônio
  • Rua Miguel Romano
  • Rua Padre Celestino
  • Rua Paraná
  • Rua Soldado José de Andrade
  • Rua São Vicente de Paula
  • Rua Tapajós
  • Travessa Igaratá

Fonte: perímetros das Resoluções SPI 14/2025 e 15/2025 e dos Decretos Estaduais 68.537/2024 e 68.552/2024. A grafia de alguns logradouros foi padronizada a partir do texto oficial; em caso de divergência, prevalece a publicação no Diário Oficial.

Em que pé está a obra em outubro de 2026

Desde a publicação das resoluções, em março de 2025, a Linha 19-Celeste saiu do papel no plano administrativo. O Metrô licitou as obras civis em três lotes, com abertura das propostas em setembro de 2025 e prazo de execução de 75 meses, contado do início da construção. Segundo a imprensa especializada, a situação de cada lote era esta em outubro de 2026:

LoteTrechoSituação
Lote 1Trecho de Guarulhos, do VSE-01 até a Estação Jardim Julieta (sem incluí-la)Consórcio Agis–OHLA–Cetenco habilitado em maio de 2026
Lote 2Da Estação Jardim Julieta à Estação Vila Maria, com o pátioHomologado em 09/02/2026 para o consórcio liderado pela Odebrecht (proposta de R$ 6,705 bilhões)
Lote 3Depois de Vila Maria até o Centro, de Catumbi ao AnhangabaúHomologado em 09/02/2026 para o consórcio liderado pela Odebrecht (proposta de R$ 6,896 bilhões)

Até o início de outubro de 2026, segundo a imprensa, nenhum contrato de obra havia sido assinado. O Metrô cita 2027 para o início das obras, condicionado aos procedimentos administrativos.

No licenciamento ambiental, a Cetesb concedeu ao Metrô a Licença de Instalação nº 2857, de 25/03/2026, publicada no Diário Oficial de 02/04/2026, para a Estação Dutra, em Guarulhos, com validade de seis anos. Até esta data, não localizamos licença de instalação para os demais trechos.

O que já se moveu nas desapropriações

Em maio de 2025, segundo a imprensa, o Metrô contratou empresa para as avaliações imobiliárias, a busca de documentação, as análises fundiárias e a montagem dos processos administrativos de desapropriação da Linha 19. É o trabalho que antecede a proposta de acordo: vistoria, laudo de avaliação e conferência da documentação de cada imóvel.

Na Assembleia Legislativa, requerimentos de informação apresentados em 2025 e 2026 (nº 477/2025 e nº 139/2026) pediram ao governo esclarecimentos sobre possíveis mudanças no projeto e sobre a situação das famílias da comunidade Jardim Julieta. Até 6 de outubro de 2026, não localizamos no Diário Oficial ato novo que amplie ou reduza os perímetros já declarados.

Cuidado com a avaliação em larga escala

Mesmo com avaliação individual, laudos feitos em larga escala tendem a padronizar critérios. Reformas recentes, potencial construtivo, ponto comercial consolidado e benfeitorias fora da matrícula podem ficar de fora. A proposta que chegar ao proprietário vai refletir esse laudo, e não necessariamente o valor de mercado do imóvel.

Até quando o Metrô pode desapropriar

O art. 10 do Decreto-Lei 3.365/1941 dá ao expropriante cinco anos, contados da data da expedição do ato, para efetivar a desapropriação, por acordo ou com o ajuizamento da ação. Passado o prazo sem isso, a declaração caduca. Na Linha 19-Celeste, isso significa, em termos aproximados:

  • Decretos Estaduais 68.537/2024 e 68.552/2024, de maio de 2024: prazo até maio de 2029.
  • Resoluções SPI 14/2025 e 15/2025, de março de 2025: prazo até março de 2030.

Com o início das obras previsto pelo Metrô para 2027, condicionado aos procedimentos administrativos, a fase de propostas e de ações judiciais tende a se concentrar dentro desse intervalo.

O que compõe a justa indenização

A Constituição garante a desapropriação por utilidade pública mediante justa e prévia indenização em dinheiro (art. 5º, XXIV). Justa é a indenização que deixa o proprietário, do ponto de vista patrimonial, na situação em que estaria sem a desapropriação. Ela pode reunir:

  • Valor de mercado do imóvel, e não o valor venal do IPTU, considerando localização, metragem, padrão construtivo e o aproveitamento econômico do terreno segundo a legislação de uso e ocupação do solo.
  • Benfeitorias: reformas, ampliações e melhorias que a avaliação não considerou. As feitas depois da desapropriação só entram se necessárias, ou úteis com autorização do expropriante (art. 26, § 1º, do Decreto-Lei 3.365/1941).
  • Fundo de comércio, para o proprietário que explora o próprio negócio no imóvel, mediante prova.
  • Juros compensatórios, quando cabíveis, nos termos do art. 15-A do Decreto-Lei 3.365/1941, se houver imissão prévia na posse. Eles compensam a renda comprovadamente perdida e não se somam aos lucros cessantes pela mesma perda.
  • Juros moratórios pelo atraso no pagamento da indenização fixada na decisão final, e correção monetária.

Sobre os juros moratórios, há um ponto próprio da Linha 19. O art. 15-B do Decreto-Lei 3.365/1941 conta esses juros a partir de 1º de janeiro do exercício seguinte àquele em que o pagamento deveria ser feito, regra ligada ao pagamento por precatório (art. 100 da Constituição). Nas desapropriações movidas pelo Metrô, o TJSP tem afastado o regime de precatórios, por se tratar de sociedade de economia mista, e contado os juros moratórios do trânsito em julgado, na linha do STJ para expropriante de direito privado.

Se a indenização fixada pelo juiz superar a oferta, o Metrô também é condenado em honorários de sucumbência, calculados sobre a diferença entre a indenização e a oferta, corrigidas monetariamente (art. 27, § 1º, do Decreto-Lei 3.365/1941; Súmula 141/STJ), e reembolsa as despesas do processo, incluindo, mediante comprovação, os honorários do assistente técnico.

Desapropriação parcial e direito de extensão

Quando só parte do terreno é atingida e o que sobra fica inútil, inaproveitável ou de difícil utilização, o expropriado pode pedir que a desapropriação, e a indenização, alcance a totalidade do imóvel. É o chamado direito de extensão, que precisa ser pedido no momento certo, no acordo ou na ação. Se o remanescente apenas perder valor, o caminho é a indenização pela desvalorização dessa parte.

Imissão provisória na posse: depósito, não pagamento

Sem acordo, o Metrô ajuíza a ação de desapropriação e, alegando urgência, pode pedir a imissão provisória na posse. Para isso, deposita em juízo um valor. Esse depósito não é o pagamento da indenização: é a condição para a posse antecipada, e o valor definitivo continua em discussão no processo.

Após a imissão, o expropriado pode levantar até 80% do depósito, ainda que discorde do valor (art. 33, § 2º, do Decreto-Lei 3.365/1941). Para isso, precisa provar a propriedade e a quitação das dívidas fiscais que recaiam sobre o imóvel, e são publicados editais (art. 34). Havendo dúvida fundada sobre quem é o dono, o valor fica depositado.

Depois vem a perícia judicial: um perito nomeado pelo juiz avalia o imóvel, e o expropriado pode indicar um assistente técnico para defender critérios corretos de avaliação. A sentença fixa a indenização.

Comerciantes e inquilinos

O Brás, o Centro e os eixos comerciais de Vila Maria e de Guarulhos concentram imóveis com atividade comercial. Nesses casos, há dois cenários:

  • O proprietário explora o próprio negócio no imóvel: o fundo de comércio (ponto, clientela, nome) pode ser indenizado na própria desapropriação, mediante prova.
  • O comerciante é locatário: a desapropriação extingue a locação, mas o inquilino pode pleitear do expropriante, em ação própria, indenização pelos prejuízos que comprovar, como a perda do fundo de comércio.

Nos dois casos, a prova contábil (faturamento, contratos, tempo de ponto) decide o resultado e precisa ser organizada antes da avaliação.

Como agir agora

O que fazer antes da proposta do Metrô

  • Confirme se o seu imóvel está no perímetro, e em que extensão, pelas plantas oficiais dos atos.
  • Reúna a documentação: matrícula atualizada, IPTU, plantas, contratos de locação e comprovantes de reformas e benfeitorias.
  • Regularize pendências de inventário, registro e tributos: elas atrasam o levantamento do depósito.
  • Comerciantes: organizem faturamento, contratos e histórico do ponto.
  • Não assine nada de imediato: proposta, termo de anuência ou minuta de escritura devem ser lidos com apoio técnico.
  • Providencie uma avaliação independente do valor de mercado antes de responder à proposta.

A desapropriação é um processo em que o Estado pode impor a perda do bem, mas o proprietário tem um direito constitucional que não se negocia: receber tudo o que o imóvel realmente vale. Na Linha 19-Celeste, a fase decisiva é a que começa agora, entre a avaliação dos imóveis e a primeira proposta.

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Advogado inscrito na OAB desde 2003, com mais de 20 anos de atuação em desapropriação de imóveis .Atuação integrada com engenharia de avaliações, visando alcançar o correto valor da indenização.

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Perguntas frequentes

Meu imóvel está numa das ruas listadas. Ele já foi desapropriado?

Não. Estar numa rua listada significa que o logradouro integra um perímetro declarado de utilidade pública, o que dá ao Poder Público a prerrogativa de desapropriar dentro do prazo legal. Muitas vezes só parte da rua ou da quadra é atingida. A confirmação depende das plantas oficiais do ato.

Quando o Metrô deve procurar os proprietários?

Não há data oficial. Segundo a imprensa, o Metrô contratou em maio de 2025 empresa para avaliar os imóveis e montar os processos de desapropriação, e cita 2027 para o início das obras, condicionado aos procedimentos administrativos. A proposta de acordo costuma vir antes do início das obras no trecho.

Sou obrigado a aceitar a proposta do Metrô?

Não. A proposta é uma oferta de acordo e pode ser recusada. Sem acordo, a indenização é fixada pelo juiz, com base em perícia. Antes de responder, o ideal é ter uma avaliação independente do valor de mercado do imóvel.

Sou inquilino de um imóvel comercial atingido. Tenho algum direito?

Sim. A desapropriação extingue a locação, mas o locatário pode pleitear do expropriante, em ação própria, indenização pelos prejuízos que comprovar, como a perda do fundo de comércio. A prova do faturamento e do tempo de ponto é decisiva.

Até quando o Metrô pode desapropriar com base nesses atos?

O art. 10 do Decreto-Lei 3.365/1941 dá cinco anos, contados da expedição do ato. Para os decretos de maio de 2024, o prazo vai até maio de 2029; para as Resoluções SPI 14 e 15/2025, de março de 2025, até março de 2030.

Fontes oficiais

  • Resolução SPI nº 15, de março de 2025, Secretaria de Parcerias em Investimentos (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 31/03/2025).
  • Resolução SPI nº 14, de 20 de março de 2025, Pátio Vila Medeiros (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 31/03/2025).
  • Decreto Estadual nº 68.537, de 20/05/2024 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 21/05/2024) e Decreto Estadual nº 68.552, de 22/05/2024 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 23/05/2024).
  • Cetesb, Licença Ambiental de Instalação nº 2857, de 25/03/2026, Estação Dutra – Linha 19 (Diário Oficial do Estado de São Paulo, 02/04/2026).
  • Companhia do Metropolitano de São Paulo, avisos das licitações dos lotes 01, 02 e 03 da Linha 19-Celeste (Diário Oficial do Estado de São Paulo, maio a julho de 2025).
  • Assembleia Legislativa, Requerimentos de Informação nº 477/2025 e nº 139/2026 (Diário Oficial do Estado de São Paulo).
  • Decreto-Lei nº 3.365, de 21/06/1941 (Lei Geral das Desapropriações), arts. 10, 15, 15-A, 15-B, 26, 27, 33 e 34; Constituição Federal, art. 5º, XXIV; Súmula 141/STJ.
  • Imprensa especializada: Agência SP (22/09/2025), CNN Brasil (10/02/2026), Diário do Transporte (27/05/2025 e 02/04/2026) e Metrô CPTM (2026); Metrô, página da Linha 19-Celeste (23/09/2025).

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individualizada de cada caso por um advogado especialista em desapropriação.

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