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Direto da Saúde

STJ – Plano de saúde negou o home care? A cobertura é obrigatória quando há prescrição (caso ELA)

  • Otavio Andere Neto
  • 8 de junho de 2026
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Home care negado pelo plano: entenda quando a cobertura é obrigatória

Em resumo

  • A 4ª Turma do STJ (AgInt no REsp 2.241.036/SP, Rel. Min. Luís Carlos Gambogi, j. 08/06/2026) manteve a condenação de um plano de saúde a custear todos os insumos e serviços de home care de uma beneficiária com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
  • O recurso da operadora não foi sequer conhecido: ela apenas repetiu seus argumentos, sem atacar os fundamentos da decisão (Súmula 182/STJ).
  • No mérito, vale a orientação consolidada: o home care é cobertura obrigatória quando há prescrição médica e a necessidade/eficácia não são questionadas — funcionando como substituto da internação.
  • O que protege o paciente é a robustez do laudo médico: reconhecida a necessidade na origem, rediscuti-la no STJ esbarra na Súmula 7 (não se reexaminam fatos e provas).

O caso

Uma beneficiária com ELA — doença neurodegenerativa grave e progressiva — precisava de home care (atendimento domiciliar) com diversos insumos, medicamentos e serviços. O plano de saúde resistiu ao custeio. As instâncias inferiores condenaram a operadora a fornecer tudo o que fora prescrito, e o caso chegou ao STJ.

O que o STJ decidiu

A decisão tem uma camada processual importante. O recurso especial da operadora já havia sido negado por decisão monocrática, com dois fundamentos:

  • O acórdão de origem está alinhado à jurisprudência do STJ sobre a obrigatoriedade de cobertura de insumos em home care, quando a necessidade e a eficácia não são questionadas;
  • Rediscutir isso exigiria reexame de fatos e provas, vedado pela Súmula 7/STJ.

No agravo interno, a operadora apenas repetiu os argumentos do recurso especial, sem enfrentar especificamente esses dois fundamentos. Resultado: incidência da Súmula 182/STJ e agravo não conhecido — mantida, portanto, a obrigação de custear o home care.

Por que o home care é cobertura obrigatória

O atendimento domiciliar, quando prescrito pelo médico assistente como substituto da internação hospitalar, integra a cobertura do plano. A jurisprudência é firme: havendo prescrição médica e não havendo controvérsia técnica real sobre a necessidade, a operadora não pode negar os insumos, medicamentos e serviços indispensáveis ao tratamento — sob pena de esvaziar a finalidade do contrato e violar o Código de Defesa do Consumidor.

A força do laudo médico

O ponto decisivo é a prova produzida na origem. Quando o juízo reconhece, com base em laudo e perícia, que o home care é necessário, esse fato não pode ser reaberto no STJ (Súmula 7). Ou seja: um relatório médico detalhado e bem fundamentado é o que transforma a Súmula 7 em um escudo a favor do paciente.

O home care é devido quando…O que o plano NÃO pode alegar
Há prescrição médica do atendimento domiciliarSimples ausência no rol, sem alternativa eficaz
O home care substitui a internação hospitalar"Cláusula de exclusão de home care" (abusiva — Súmula 90/TJSP)
A necessidade não é controvertida tecnicamenteRediscutir os fatos já provados na origem (Súmula 7/STJ)

O que isso significa para o paciente e a família

  • Relatório médico detalhado é tudo. Deve descrever a doença, o quadro, a indicação do home care e exatamente quais insumos, medicamentos e serviços são necessários.
  • Guarde a negativa por escrito e todas as prescrições e exames.
  • Tutela de urgência. Em doenças graves como a ELA, é possível pedir liminar para início imediato do atendimento, antes do fim do processo.
  • Vale para outras doenças graves: Alzheimer avançado, sequelas de AVC, pacientes oncológicos — sempre que o home care for prescrito e necessário.

O tempo importa

Em doenças progressivas, cada dia sem o cuidado adequado pesa. Reúna a documentação e busque orientação rápido: a tutela de urgência pode garantir o home care em poucos dias.

Ponto de equilíbrio

Esta decisão é, em grande parte, processual: o STJ não reanalisou o mérito — manteve o resultado porque a operadora recorreu mal (Súmula 182) e porque os fatos não podem ser reabertos (Súmula 7). Isso reforça que o caso se ganha na origem, com prova robusta. Não se trata de cobertura ilimitada e automática: é preciso prescrição e necessidade demonstrada. Decisão de Turma, sem efeito vinculante.

Íntegra da decisão

Transcreve-se a ementa do acórdão, tal como disponibilizada pelo Superior Tribunal de Justiça:

STJ — AgInt no REsp 2.241.036/SP (4ª Turma, Rel. Min. Luís Carlos Gambogi — Des. convocado do TJMG, j. 08/06/2026, DJEN 12/06/2026)

"DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO MONOCRÁTICA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. (...) 1. Agravo interno interposto por entidade de previdência complementar contra decisão monocrática que negou provimento a recurso especial, mantendo acórdão que condenara plano de saúde a fornecer todos os insumos e serviços necessários a tratamento em home care de beneficiária portadora de Esclerose Lateral Amiotrófica. 2. A decisão monocrática negou provimento ao recurso especial por entender: (a) que o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça quanto à obrigatoriedade de cobertura de insumos para home care, medicamentos e exames, quando a necessidade e eficácia não são questionadas; e (b) que a pretensão recursal demandaria reexame de fatos e provas, atraindo o óbice da Súmula 7/STJ. (...) 5. O princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de impugnar especificamente os fundamentos da decisão recorrida (...), sob pena de incidência da Súmula 182/STJ (...). 10. Resultado do Julgamento: Agravo interno não conhecido."

Perguntas frequentes

O plano de saúde é obrigado a custear home care?

Sim, quando o atendimento domiciliar é prescrito pelo médico como substituto da internação e a necessidade não é objeto de controvérsia técnica. Negar nesse cenário é considerado abusivo.

Meu contrato tem cláusula que exclui home care. Isso vale?

Cláusula que exclui home care indispensável à manutenção da vida e da saúde é considerada abusiva pela jurisprudência (Súmula 90 do TJSP). A prescrição médica prevalece sobre a exclusão genérica.

Por que o laudo médico é tão importante?

Porque, reconhecida a necessidade na primeira instância, a operadora não consegue reabrir os fatos no STJ (Súmula 7). Um relatório detalhado e bem fundamentado é o que sustenta a proteção do paciente.

Isso vale só para ELA?

Não. O mesmo raciocínio se aplica a outras doenças graves e crônicas — Alzheimer avançado, sequelas de AVC, pacientes oncológicos — sempre que o home care for prescrito e necessário.

Consigo começar o home care rápido?

Sim. É possível pedir tutela de urgência (liminar) para que o plano inicie o atendimento de imediato, diante do risco à saúde, antes da decisão final do processo.

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Fontes oficiais

Fontes

  • STJ — AgInt no REsp 2.241.036/SP, Rel. Min. Luís Carlos Gambogi (Des. convocado do TJMG), 4ª Turma, julgamento em 08/06/2026, DJEN de 12/06/2026.
  • STJ — Súmula 7 (vedação ao reexame de fatos e provas) e Súmula 182 (dialeticidade do agravo).
  • Lei nº 9.656/1998 (Lei dos Planos de Saúde); Código de Defesa do Consumidor, art. 51, IV; TJSP — Súmula 90 (home care).

Conteúdo informativo; não substitui a análise individualizada de cada caso. Reflete decisão de órgão fracionário, sem efeito vinculante, sujeita a recursos.

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Otavio Andere Neto

Otavio é advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil desde 2003, com mais de 20 anos de experiência na condução de processos judiciais de alta complexidade. Ao longo de sua carreira, desenvolveu sólida expertise na elaboração de estratégias processuais inovadoras e na representação de clientes em disputas de grande envergadura perante as mais diversas instâncias do Poder Judiciário
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