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Desapropriação

Avaliação do imóvel na desapropriação: os pontos do laudo que o proprietário pode questionar

  • Otavio Andere Neto
  • 18 de julho de 2026
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Avaliação do imóvel na desapropriação: os pontos do laudo que o proprietário pode questionar

O que você precisa saber em 30 segundos

  • Na desapropriação, o valor da indenização é definido por um laudo de avaliação — e esse laudo pode ser tecnicamente questionado pelo proprietário, que é réu na ação.
  • Os pontos mais atacáveis: método de avaliação, data-base dos preços, amostra de mercado, fatores de homogeneização, benfeitorias, maior e melhor uso e, em parciais, a depreciação do remanescente.
  • As normas que sustentam a crítica: ABNT NBR 14.653 (partes 1 a 4), normas IBAPE, o Decreto-Lei 3.365/1941 e o CPC.
  • O juiz não fica vinculado ao laudo oficial (livre convencimento motivado) — o que pode favorecer ou prejudicar o expropriado, dependendo da força técnica de cada lado.
  • A peça-chave da defesa é o assistente técnico do proprietário: um engenheiro que acompanha a perícia e produz laudo divergente.
  • Um laudo mal feito pode subavaliar a indenização em dezenas de por cento. Conhecer os pontos questionáveis é o que permite corrigir.

Na desapropriação, quem decide quanto vale o seu imóvel não é o Poder Público sozinho: é um laudo de avaliação, produzido segundo normas técnicas. O problema é que a oferta inicial do expropriante quase sempre parte de um laudo que subavalia o bem. A boa notícia é que esse laudo tem pontos concretos que podem ser questionados, um a um, com base na ABNT NBR 14.653, nas normas do IBAPE e na legislação. Este guia, preparado por Otavio Andere Neto, advogado especialista em desapropriação, explica cada um desses pontos em linguagem acessível — e mostra, com decisões reais do Tribunal de Justiça de São Paulo, como cada questionamento funciona na prática.

Por que o valor não é único: o método define tudo

Um mesmo imóvel pode ter valores diferentes conforme o método de avaliação e as escolhas técnicas do avaliador. Por isso a norma exige transparência: em desapropriações totais, a NBR 14.653-1:2019 adota uma abordagem plurivalente e prevê que o laudo apresente, quando cabível, mais de uma referência de valor (valor de mercado, de custo de reprodução e econômico), justamente para que a justa indenização recomponha integralmente o patrimônio do expropriado.

Quando o laudo apresenta um valor único, sem alternativas nem justificativa metodológica, esse é o primeiro sinal de que há o que questionar. A seguir, os dez pontos mais frequentes — cada um com a decisão do TJSP que mostra o questionamento em ação.

Ponto 1: o método de avaliação foi o adequado?

A NBR 14.653 prevê métodos distintos, cada um para uma situação:

  • Comparativo direto de dados de mercado — o principal; compara o imóvel com semelhantes efetivamente negociados (NBR 14.653-2:2011).
  • Involutivo — para glebas urbanizáveis, estima o valor a partir do empreendimento hipotético.
  • Evolutivo — soma o valor do terreno ao custo de reedição das benfeitorias.
  • Da renda / capitalização — para imóveis que produzem renda (aluguel, atividade econômica).

Aplicar o método errado distorce o valor. Um galpão que gera aluguel, avaliado só pelo comparativo e ignorando a renda, tende a ser subavaliado. Uma gleba urbanizável avaliada como simples terreno perde o potencial de incorporação. O primeiro questionamento é sempre: o método escolhido é o adequado ao tipo de imóvel e à sua vocação econômica?

O que decidiu o TJSP

"A utilização do método comparativo direto com tratamento por inferência estatística (regressão linear) confere maior objetividade e segurança jurídica ao resultado, mitigando o subjetivismo do avaliador."

Apelação Cível 1000314-89.2023.8.26.0270 · 7ª Câmara de Direito Público · Rel. Des. Maria Fernanda de Toledo Rodovalho · j. 23/03/2026

Ponto 2: a data-base dos valores está atualizada?

Preços de imóveis mudam com o tempo. O Decreto-Lei 3.365/1941, art. 26, exige a contemporaneidade da indenização — os valores devem corresponder à data-base correta, com correção monetária. Um laudo que usa preços de anos atrás, sem atualização, subavalia o imóvel.

Atenção à data-base. Verifique sempre a data a que se referem os preços do laudo e se houve correção até a data de referência. Data-base defasada, sem atualização por índice de mercado, é uma das subavaliações mais comuns — e das mais fáceis de demonstrar.

Ponto 3: a amostra de mercado é suficiente?

O comparativo depende de uma amostra de imóveis semelhantes. A qualidade dessa amostra define o grau de fundamentação do laudo. Pela NBR 14.653-2:2011, quanto mais elementos, maior o grau: a norma escalona o enquadramento conforme a quantidade de dados de mercado efetivamente utilizados. Uma amostra pobre enfraquece o laudo.

Pontos de ataque à amostra:

  • Número de elementos abaixo do necessário para o grau declarado.
  • Amostra composta só de ofertas (anúncios), sem transações reais.
  • Fonte única ou data única de coleta.
  • Ausência de elementos do próprio bairro do imóvel avaliado.
  • Imóveis da amostra incompatíveis (natureza, porte ou localização diferentes).

O que decidiu o TJSP

"O laudo pericial elaborado apresenta fundamentação sólida e critérios adequados ao utilizar o método comparativo de dados de mercado, com homogeneização das amostras e grau de fundamentação III, de modo que não há elementos que justifiquem sua desconsideração."

Remessa Necessária Cível 0003471-40.2010.8.26.0045 · 10ª Câmara de Direito Público · Rel. Des. Jose Eduardo Marcondes Machado · j. 09/02/2026

A leitura inversa é a que interessa ao proprietário: o laudo que não alcança grau de fundamentação adequado, com amostra pobre e homogeneização frágil, não merece a mesma deferência — e pode ser afastado.

Ponto 4: a homogeneização por fatores está correta?

Como dois imóveis nunca são idênticos, o avaliador ajusta os preços da amostra por fatores — de testada, profundidade, área, topografia, localização. A NBR 14.653-2:2011, item 8.2.1.4.2, limita esses fatores ao intervalo de 0,50 a 2,00: ajustes fora dessa faixa indicam que os imóveis comparados são heterogêneos demais para servirem de paradigma.

As normas do IBAPE/SP trazem a mecânica de cada fator (testada Cf, profundidade Cp, área Ca) por zona. Erros comuns: aplicar fator fora do limite, usar expoente de zona errada, aplicar depreciação ao terreno (terreno não deprecia) ou não recalcular os fatores de forma para o remanescente em desapropriação parcial.

O que decidiu o TJSP

"A apuração do valor da execução deve observar critérios técnicos adequados, sendo cabível o refazimento da perícia quando verificado erro metodológico."

Agravo de Instrumento 2108843-20.2026.8.26.0000 · 9ª Câmara de Direito Público · Rel. Des. Carlos Eduardo Pachi · j. 22/06/2026

Ponto 5: as benfeitorias e edificações foram bem avaliadas?

Construções, reformas e ampliações têm de ser avaliadas por método técnico. Para edificações, a depreciação deve seguir o critério de Ross-Heidecke, que considera idade e estado de conservação — superior à depreciação linear, que só considera a idade. Os custos de reprodução devem partir de bases atualizadas (SINAPI, CUB) na data-base.

Construção não averbada também conta. A avaliação do ente costuma partir da matrícula e ignora ampliações não registradas. Comprovada por fotos, projetos e notas, a benfeitoria entra na indenização. Tratamos disso em detalhe no texto sobre benfeitorias e reformas na desapropriação.

O que decidiu o TJSP

"Correta, ainda, a valoração da benfeitoria existente no local, que não havia sido constatada no laudo provisório pela impossibilidade de se adentrar no terreno."

Apelação Cível 1046158-49.2014.8.26.0053 · 10ª Câmara de Direito Público · Rel. Des. Marcelo Semer · j. 17/06/2026

Ou seja: benfeitoria que o laudo provisório não viu deve ser incluída quando constatada — mais um motivo para o proprietário documentar tudo antes da desocupação.

Ponto 6: o maior e melhor uso foi considerado?

Um princípio central da avaliação é o maior e melhor uso (highest and best use): o imóvel deve ser avaliado pelo seu melhor aproveitamento legalmente possível e economicamente viável, não pelo uso atual, se este for inferior ao potencial. Um terreno com potencial construtivo de edifício, avaliado como se fosse apenas um lote residencial simples, perde valor. Questionar o laudo aqui significa perguntar: o avaliador considerou o que o imóvel poderia ser, conforme o zoneamento, ou apenas o que ele é hoje?

O que decidiu o TJSP

"O impacto de eventual restrição ambiental, no caso concreto, não compromete a utilização do imóvel, tampouco o potencial construtivo útil do terreno."

Apelação Cível 1073083-09.2019.8.26.0053 · 4ª Câmara de Direito Público · Rel. Des. Maurício Fiorito · j. 20/06/2025

Ponto 7: em desapropriação parcial, o remanescente foi indenizado?

Quando o Poder Público desapropria só parte do imóvel, o pedaço que sobra — o remanescente — pode perder valor: fica menor, com formato ruim, sem acesso, ou exposto a ruído e vibração da obra. O Decreto-Lei 3.365/1941, art. 27, determina que o juiz atenda, na sentença, à depreciação da área remanescente.

Tecnicamente, isso se apura pelo método antes e depois (valor do imóvel inteiro antes, menos o valor do remanescente depois) e por fatores de depreciação das normas do IBAPE. A Norma IBAPE/SP 2025 de Desapropriação e Servidão disciplina esse cálculo. Um laudo que indeniza só a faixa atingida e ignora a perda de valor do que sobrou está incompleto.

O que decidiu o TJSP

"O laudo pericial confirmou o encravamento da área remanescente, inviabilizando seu uso econômico, justificando a extensão da desapropriação."

Apelação Cível 3029158-08.2013.8.26.0224 (Rodoanel) · 2ª Câmara de Direito Público · Rel. Des. Carlos von Adamek · j. 11/03/2026

Remanescente antieconômico. Se o pedaço que sobra fica tão pequeno ou mal conformado que perde aproveitamento econômico (abaixo do lote mínimo do zoneamento, sem testada ou acesso viável), o proprietário pode exigir a desapropriação total — o chamado direito de extensão, reconhecido na decisão acima.

Ponto 8: faixa não edificável e restrições ambientais foram tratadas certo?

Imóveis lindeiros a rodovias e ferrovias têm faixa não edificável (Lei 6.766/1979, art. 4º, III e III-A). Para rodovias, a faixa mínima de 15 metros pode ser reduzida por lei municipal até 5 metros (Lei 13.913/2019); para ferrovias, o mínimo é de 15 metros. Cursos d'água em área urbana consolidada seguem regime próprio (art. 4º, III-B, e Código Florestal).

Esses pontos são de mão dupla: o expropriante costuma usá-los para reduzir a indenização, aplicando um fator de restrição sobre a área não edificável. Foi o que ocorreu no caso da faixa non aedificandi da BR-153, em que a 11ª Câmara de Direito Público adotou o parecer do assistente técnico do expropriante com fator de restrição, reduzindo a indenização (Apelação/Remessa Necessária 1002099-80.2019.8.26.0576, Rel. Des. Fernão Borba Franco, j. 15/05/2026 — análise completa aqui).

Mas o proprietário pode virar o jogo: questionar se a restrição foi aplicada além do limite legal, ou se a restrição ambiental já está descaracterizada pela ocupação urbana consolidada — hipótese em que o redutor não se aplica.

O que decidiu o TJSP

"Correta a não aplicação do fator de depreciação por área de preservação permanente, já que descaracterizada em razão de ocupação urbana consolidada, conforme precedentes deste Tribunal."

Apelação Cível 1046158-49.2014.8.26.0053 · 10ª Câmara de Direito Público · Rel. Des. Marcelo Semer · j. 17/06/2026

Ponto 9: fundo de comércio e lucros cessantes entraram na conta?

Se há atividade econômica no imóvel, a indenização vai além do terreno e das construções. O fundo de comércio (perda do ponto) e os lucros cessantes (renda interrompida) são parcelas autônomas, avaliáveis inclusive pela NBR 14.653-4 (empreendimentos). Laudos de avaliação de imóvel frequentemente ignoram essas parcelas, que podem ser as mais valiosas para um comerciante. Detalhamos cada uma nos textos sobre fundo de comércio e lucros cessantes.

O que decidiu o TJSP

"(...) indenização pela perda do fundo de comércio devido à desapropriação do imóvel onde operava seu ponto comercial. (...) A perícia judicial confirmou o dano material (...)." Recurso da empresa locatária provido.

Apelação Cível 1014025-75.2019.8.26.0053 · 8ª Câmara de Direito Público · Rel. Des. Leonel Costa · j. 17/06/2026

Ponto 10: o laudo cumpre os requisitos formais?

Um laudo pericial precisa atender aos requisitos do CPC, art. 473: exposição do objeto, análise técnica, indicação do método e resposta conclusiva a todos os quesitos. Além disso, o grau de fundamentação declarado tem de corresponder ao que a amostra e a metodologia efetivamente sustentam. Respostas circulares (que afirmam a conclusão como se fosse o próprio fundamento) e citações de norma que não tratam da matéria invocada são pontos clássicos de impugnação.

E laudo incompleto tem consequência processual: a perícia que deixa de avaliar parcela relevante — como a área remanescente — pode ser mandada complementar, com anulação da própria sentença.

O que decidiu o TJSP

"(...) acórdão que deu parcial provimento à apelação de empresa privada, anulando a sentença e determinando a complementação da perícia técnica para avaliação da área remanescente em desapropriação parcial de imóvel."

Embargos de Declaração Cível 1000473-93.2015.8.26.0405 · 6ª Câmara de Direito Público · Rel. Des. Tania Ahualli · j. 25/03/2026

A peça-chave: o assistente técnico do proprietário

Nada disso se sustenta sem prova técnica. Por isso a defesa do expropriado se apoia num assistente técnico — um engenheiro avaliador que acompanha a perícia judicial, formula quesitos, aponta as falhas do laudo oficial e apresenta um laudo divergente, com memória de cálculo e fundamento normativo. Como o juiz não fica vinculado ao laudo oficial, o lado com o melhor trabalho técnico tende a prevalecer — nos dois sentidos.

O escritório de Otavio Andere Neto atua com assistência técnica de engenharia especializada em avaliações (IBAPE) integrada à defesa jurídica. Na prática, isso significa que cada ponto questionável acima é verificado por um engenheiro, quantificado em reais e transformado em impugnação fundamentada — e não em alegação genérica. É a diferença entre dizer que o laudo subavaliou e demonstrar, com norma e cálculo, exatamente onde e quanto.

Resumo dos pontos questionáveis

Ponto do laudoNorma / base para questionar
Método de avaliaçãoNBR 14.653-1:2019 e 14.653-2:2011
Data-base dos preçosDL 3.365/1941, art. 26
Amostra de mercado / grauNBR 14.653-2:2011 (graus de fundamentação)
Fatores de homogeneizaçãoNBR 14.653-2:2011, item 8.2.1.4.2 (0,50 a 2,00); IBAPE/SP
Benfeitorias e edificaçõesRoss-Heidecke; SINAPI/CUB; IBAPE/SP 2011
Maior e melhor usoNBR 14.653-1:2019
Remanescente (parcial)DL 3.365/1941, art. 27; IBAPE/SP 2025
Faixa não edificávelLei 6.766/1979, art. 4º, III/III-A/III-B
Fundo de comércio e lucros cessantesNBR 14.653-4
Requisitos formais do laudoCPC, art. 473

Roteiro do proprietário diante do laudo

  1. Não aceite a oferta baseada no primeiro laudo sem análise técnica.
  2. Reúna a documentação do imóvel: matrícula, plantas, fotos, notas de reformas, contratos de locação, comprovantes de faturamento.
  3. Constitua um assistente técnico (engenheiro avaliador) para acompanhar a perícia.
  4. Peça o laudo e a memória de cálculo — sem memória, o valor não é auditável.
  5. Verifique os dez pontos deste guia contra o laudo apresentado.
  6. Formule quesitos técnicos e, se preciso, requeira perícia complementar.

Conclusão

A indenização na desapropriação não é um número imutável: é o resultado de um laudo técnico que pode e deve ser auditado. Método, data-base, amostra, fatores, benfeitorias, maior e melhor uso, remanescente, restrições, fundo de comércio e conformidade formal são os dez pontos onde a subavaliação costuma se esconder — e, como mostram as decisões do TJSP reunidas neste guia, cada um deles já foi decisivo em casos reais. Conhecer cada ponto permite ao proprietário — que é réu na ação e se defende — transformar a defesa em recuperação de valor. E a ferramenta central para isso é a assistência técnica de engenharia integrada à defesa jurídica, que demonstra, com norma e cálculo, a justa indenização a que o expropriado tem direito.

Perguntas frequentes

O proprietário pode questionar o valor da indenização na desapropriação?
Sim. O valor é fixado por um laudo de avaliação que segue normas técnicas (ABNT NBR 14.653, IBAPE) e pode ser questionado ponto a ponto: método, data-base, amostra de mercado, fatores, benfeitorias, remanescente e conformidade formal. O proprietário é réu na ação e se defende para elevar a indenização ao valor justo.
Quais são os principais pontos atacáveis em um laudo de desapropriação?
Os mais frequentes são: método de avaliação inadequado, data-base defasada (DL 3.365/1941, art. 26), amostra de mercado insuficiente, fatores de homogeneização fora do intervalo de 0,50 a 2,00 (NBR 14.653-2:2011), benfeitorias mal avaliadas, maior e melhor uso ignorado, depreciação do remanescente não calculada (DL 3.365/1941, art. 27) e requisitos formais do CPC, art. 473, não atendidos.
O que é o assistente técnico do proprietário?
É um engenheiro avaliador, indicado pelo expropriado, que acompanha a perícia judicial, formula quesitos, aponta as falhas do laudo oficial e apresenta um laudo divergente com memória de cálculo e fundamento normativo. É a peça-chave para demonstrar tecnicamente a subavaliação e recuperar valor.
O juiz é obrigado a seguir o laudo oficial?
Não. Pelo princípio do livre convencimento motivado, o juiz pode adotar o parecer do assistente técnico em vez do laudo oficial, desde que fundamente. Por isso o trabalho técnico do proprietário é decisivo: o lado com a avaliação mais bem fundamentada tende a prevalecer.
Em desapropriação parcial, tenho direito à indenização pelo que sobrou do imóvel?
Sim, quando o remanescente perde valor. O Decreto-Lei 3.365/1941, art. 27, determina que o juiz atenda à depreciação da área remanescente. Isso se apura pelo método antes e depois e pelas normas do IBAPE. Se o remanescente ficar economicamente inviável — como em caso de encravamento —, o TJSP reconhece o direito de exigir a extensão da desapropriação.

Fontes oficiais

  • Constituição Federal, art. 5º, XXIV — justa e prévia indenização em dinheiro.
  • Decreto-Lei nº 3.365, de 21 de junho de 1941 — Lei Geral das Desapropriações (arts. 26 e 27).
  • Lei nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979, art. 4º, III, III-A e III-B — faixas não edificáveis (com as Leis 13.913/2019 e 14.285/2021).
  • Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), art. 473 — requisitos do laudo pericial.
  • ABNT NBR 14.653-1:2019 (procedimentos gerais) e 14.653-2:2011 (imóveis urbanos), incluindo o item 8.2.1.4.2 (fatores entre 0,50 e 2,00); NBR 14.653-4 (empreendimentos).
  • Normas IBAPE/SP — Avaliação de Imóveis Urbanos (2011) e Avaliação em Desapropriação e Servidão (2025).
  • TJSP — Apelação Cível 1000314-89.2023.8.26.0270, 7ª Câmara de Direito Público, Rel. Des. Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, j. 23/03/2026.
  • TJSP — Remessa Necessária Cível 0003471-40.2010.8.26.0045, 10ª Câmara de Direito Público, Rel. Des. Jose Eduardo Marcondes Machado, j. 09/02/2026.
  • TJSP — Agravo de Instrumento 2108843-20.2026.8.26.0000, 9ª Câmara de Direito Público, Rel. Des. Carlos Eduardo Pachi, j. 22/06/2026.
  • TJSP — Apelação Cível 1046158-49.2014.8.26.0053, 10ª Câmara de Direito Público, Rel. Des. Marcelo Semer, j. 17/06/2026.
  • TJSP — Apelação Cível 1073083-09.2019.8.26.0053, 4ª Câmara de Direito Público, Rel. Des. Maurício Fiorito, j. 20/06/2025.
  • TJSP — Apelação Cível 3029158-08.2013.8.26.0224, 2ª Câmara de Direito Público, Rel. Des. Carlos von Adamek, j. 11/03/2026.
  • TJSP — Apelação Cível 1014025-75.2019.8.26.0053, 8ª Câmara de Direito Público, Rel. Des. Leonel Costa, j. 17/06/2026.
  • TJSP — Embargos de Declaração Cível 1000473-93.2015.8.26.0405, 6ª Câmara de Direito Público, Rel. Des. Tania Ahualli, j. 25/03/2026.
  • TJSP — Apelação / Remessa Necessária 1002099-80.2019.8.26.0576, 11ª Câmara de Direito Público, Rel. Des. Fernão Borba Franco, j. 15/05/2026.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individualizada de cada caso por advogado e por assistente técnico de engenharia. A avaliação de cada imóvel depende de laudo próprio, com data-base e memória de cálculo.

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