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Medicamento

O plano de saúde negou o Rystiggo (rozanolixizumabe) para a miastenia gravis? Saiba como pedir a cobertura por liminar

  • Adriana Tavares Gonçalves de Freitas
  • 26 de junho de 2026
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(11) 3263-0883

O que você precisa saber em 30 segundos

  • O Rystiggo (rozanolixizumabe) é um medicamento para miastenia gravis generalizada em adultos, com registro na ANVISA.
  • Por ser de alto custo, é comum o plano negar a cobertura alegando que "não consta no rol da ANS".
  • Essa recusa, isolada, costuma ser abusiva: a Lei 14.454/2022 obriga a cobertura de tratamentos com eficácia comprovada e registro na ANVISA.
  • O STJ consolidou a taxatividade mitigada do rol — a lista da ANS não é um obstáculo absoluto.
  • Diante da negativa, é possível pedir liminar (tutela de urgência) e obter a liberação em poucos dias.

Se o plano de saúde negou o Rystiggo (rozanolixizumabe) para o tratamento da miastenia gravis, a recusa pode ser ilegal. O medicamento tem registro na ANVISA e respaldo científico, e a Lei 14.454/2022, somada à jurisprudência do STJ sobre o rol da ANS, obriga o plano a custear tratamentos eficazes ainda que não listados. Em situações de urgência, a Justiça costuma determinar a liberação em 24 a 72 horas, por meio de liminar. Este artigo, atualizado em junho de 2026, explica seus direitos e como agir.

O que é o Rystiggo (rozanolixizumabe) e para que serve

O Rystiggo é um medicamento do laboratório UCB indicado, como complemento da terapia padrão, para o tratamento da miastenia gravis generalizada em pacientes adultos com anticorpos positivos contra o receptor de acetilcolina (anti-AChR) ou contra a tirosina quinase muscular específica (anti-MuSK). A miastenia gravis é uma doença autoimune que provoca fraqueza muscular e fadiga, podendo comprometer funções como a deglutição, a fala e até a respiração.

Seu princípio ativo, o rozanolixizumabe, atua por um mecanismo inovador: bloqueia o receptor FcRn (receptor neonatal Fc), responsável por reciclar os anticorpos do tipo IgG. Ao impedir essa reciclagem, o tratamento acelera a degradação dos autoanticorpos que atacam a junção neuromuscular — agindo na origem imunológica da doença, e não apenas nos sintomas. O registro na ANVISA, em 2026, foi baseado em estudo clínico de fase 3.

Por que o plano de saúde nega o Rystiggo

Por ser uma terapia de alto custo e de incorporação recente, o Rystiggo é frequentemente negado pelas operadoras. As justificativas mais comuns são a ausência no rol da ANS, o caráter "experimental" ou a existência de alternativas mais baratas. Na prática, a recusa baseada apenas nesses argumentos costuma ser considerada abusiva pela Justiça.

Importante
Ter registro na ANVISA afasta o argumento de tratamento "experimental". E a ausência no rol da ANS, por si só, não autoriza a recusa quando há indicação médica e eficácia comprovada.

A Lei 14.454/2022 e o rol da ANS

A Lei 14.454/2022 alterou a Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/98) e definiu que o rol da ANS é uma referência básica, e não uma lista fechada. O plano deve cobrir tratamentos não listados quando há comprovação de eficácia, baseada em evidências científicas, e recomendação de órgão de avaliação de tecnologia em saúde de renome (como a CONITEC, o FDA ou a EMA), além do registro na ANVISA.

O Rystiggo reúne esses elementos: tem registro na ANVISA, respaldo em estudo clínico de fase 3 e indicação médica específica para a miastenia gravis. No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou a tese da taxatividade mitigada do rol — a lista é, em regra, taxativa, mas admite exceções quando não há substituto terapêutico eficaz e há comprovação científica do tratamento indicado (EREsp 1.886.929/SP e 1.889.704/SP, da Segunda Seção). Soma-se a isso o Código de Defesa do Consumidor, que orienta a interpretação do contrato em favor do paciente.

Como pedir o Rystiggo por liminar na Justiça

Diante da negativa, o caminho costuma ser a ação de obrigação de fazer com pedido de tutela de urgência (liminar), com base no artigo 300 do Código de Processo Civil. Reconhecida a probabilidade do direito e o perigo de dano, a decisão provisória pode obrigar o plano a autorizar o medicamento em 24 a 72 horas, sob pena de multa diária (astreintes). Em uma doença que pode comprometer a respiração, a urgência é evidente. O trabalho de um advogado especialista em Direito da Saúde é demonstrar essa urgência logo na petição inicial.

DocumentoPor que é importante
Relatório médico detalhadoDescreve o diagnóstico (miastenia gravis), a gravidade, os tratamentos já tentados e a indicação expressa do Rystiggo.
Negativa do plano por escritoComprova a recusa e demonstra que a via judicial é o único caminho.
Registro na ANVISA / bulaAfasta o argumento de tratamento experimental e ampara a eficácia.
Contrato e carteirinha do planoComprova o vínculo e os pagamentos em dia.
Atenção ao prazo
Peça sempre a negativa por escrito e mantenha o relatório médico atualizado — são as peças que sustentam a liminar. Em quadros graves, cada dia conta.

Conclusão

O acesso a medicamentos inovadores como o Rystiggo é, muitas vezes, a diferença entre o controle da doença e o agravamento do quadro. A recusa do plano baseada apenas na ausência do rol ou no custo não se sustenta diante da Lei 14.454/2022 e da jurisprudência do STJ. O escritório atua há mais de duas décadas como advogado especialista em Direito da Saúde e está à disposição para uma primeira conversa e a avaliação do caso. Se você ou um familiar recebeu a negativa do Rystiggo, lembre-se: a indicação do médico assistente, somada ao registro na ANVISA, é um forte fundamento para garantir o tratamento.

Perguntas frequentes

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Rystiggo?

Em regra, sim, quando há indicação médica para a miastenia gravis. O medicamento tem registro na ANVISA e respaldo científico, o que afasta a recusa baseada apenas na ausência do rol da ANS, conforme a Lei 14.454/2022.

Quanto tempo leva para conseguir o medicamento na Justiça?

Com pedido de liminar (tutela de urgência) e prova da urgência, a autorização pode sair em 24 a 72 horas, sob multa diária ao plano. O prazo varia conforme o caso e a comarca.

O plano pode alegar que o Rystiggo é experimental?

O registro na ANVISA afasta esse argumento. Um medicamento registrado e indicado pelo médico assistente não é tratamento experimental.

O que é a taxatividade mitigada do rol da ANS?

É o entendimento do STJ de que o rol é, em regra, taxativo, mas admite exceções quando não há substituto terapêutico eficaz na lista e existe comprovação científica do tratamento indicado (EREsp 1.886.929/SP e 1.889.704/SP).

Quais documentos preciso reunir antes de procurar um advogado?

Relatório médico atualizado com o diagnóstico e a indicação do Rystiggo, a negativa do plano por escrito, o registro/bula do medicamento, o contrato e a carteirinha do plano e os comprovantes de pagamento.

Fontes consultadas

ANVISA — registro do Rystiggo (rozanolixizumabe) para miastenia gravis generalizada (2026). Lei 14.454/2022 — Planalto. Lei 9.656/1998 — Planalto. Código de Processo Civil, art. 300 — Planalto. STJ — taxatividade mitigada do rol (EREsp 1.886.929/SP e 1.889.704/SP). Conteúdo informativo e educacional; não substitui avaliação médica nem jurídica individualizada.

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Adriana Tavares Gonçalves de Freitas

Adriana Tavares Gonçalves de Freitas é Advogada Especialista em Direito da Saúde, com mais de 20 anos de experiência. Membro da Comissão de Direito Médico da Associação Brasileira dos Advogados (ABA), é coautora do livro “Direito à Saúde em Evidência” (Editora Degustar, 2023). Atua em questões relacionadas ao direito à saúde, especialmente em contratos com planos de saúde.
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